O que é uma verdade?
É aquilo que eu penso?
O que eu sinto?
O que me favorece?
Ou aquilo que me dá razão diante dos outros?
Vivemos num tempo em que cada um constrói a sua própria verdade.
A verdade do meu interesse.
A verdade da minha conveniência.
A verdade que não confronta, não exige, não corrige.
Dizemos: “essa é a minha verdade”
Mas, no fundo, muitas vezes essa “verdade” é apenas uma troca.
Eu aceito uma verdade… desde que ela não me peça mudança.
Eu sigo uma verdade… desde que ela não confronte meus desejos.
E assim, negociamos princípios, relativizamos valores e chamamos isso de verdade. aquilo que antes era inegociável passa a ter preço. Não um preço em dinheiro, mas em conforto, aceitação, vantagem ou conveniência.
É quando dizemos:
“Só dessa vez…”
“Deus entende…”
“Todo mundo faz…”
“Não é bem assim nos dias de hoje…”
O princípio continua existindo, mas agora ele é flexível, adaptável, moldável à situação.
O princípio não foi negado. Ele ainda é reconhecido como correto. Ainda é citado, defendido e até pregado. O problema é que ele deixou de governar as decisões.
Quando um princípio é flexível, ele já não é fundamento, é referência opcional.
Ele não define mais o caminho, apenas opina sobre ele.
O princípio passa a ser moldado pela circunstância, e não a circunstância corrigida pelo princípio.
“Adaptável” significa que a verdade agora precisa caber no momento, na pressão, na cultura, no medo de desagradar.
Ela é ajustada para não gerar conflito, para não causar perda, para não exigir posicionamento.
“Moldável” significa que cada situação recebe uma versão diferente do mesmo princípio. Hoje ele vale. Amanhã ele é interpretado. Depois de amanhã, ele é relativizado.
O nome do princípio não muda, mas sua autoridade muda.
Ele deixa de ser verdade absoluta e passa a ser verdade condicional:
“Vale… se não me custar.”
“Vale… se não me expuser.”
“Vale… se não me fizer perder.”
É exatamente por isso que Jesus não disse: “Sigam meus ensinamentos quando for conveniente”, mas disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo.”
Princípios verdadeiros não se dobram às circunstâncias. Eles nos dobram diante de Deus. Quando um princípio precisa ser ajustado para funcionar, na verdade, não é o princípio que mudou, foi o coração que deixou de se submeter.
Ele deixa de ser fundamento e passa a ser opção.
Mas a pergunta que precisa ser feita é: Se cada um tem a sua verdade, então por que o mundo continua perdido?
A Bíblia não apresenta a verdade como um conceito, uma ideia ou uma opinião. Ela apresenta a verdade como uma Pessoa.
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (João 14:6)
Jesus não disse: “Eu tenho uma verdade”.
Ele disse: “Eu sou a Verdade.”
A verdade que vem de Cristo não se ajusta a nós. Somos nós que precisamos nos ajustar a ela.
Ela confronta.
Ela corrige.
Ela expõe intenções.
Ela revela quem realmente somos.
Por isso muitos rejeitam a verdade. Não porque ela seja difícil de entender, mas porque ela é difícil de viver.
Seguir a verdade de Cristo é escolher fazer o que é certo, mesmo quando todos dizem o contrário.
É permanecer fiel, mesmo quando isso custa aplausos, conforto ou aceitação. É obedecer, mesmo quando ninguém está olhando.
A verdadeira verdade não é a que me favorece, é a que me transforma. Não é a que me dá razão, é a que me leva à cruz do meu orgulho. No fim, a pergunta não é: “Qual é a minha verdade?”Mas sim: “Estou disposto a viver a Verdade?”
Porque fora de Cristo, existem opiniões. Em Cristo, existe direção. Fora de Cristo, existem interesses. Em Cristo, existe justiça.
E a verdade continua sendo a mesma: fazer o que é certo, mesmo que o mundo inteiro diga que está errado.
Wilson Teixeira - IEQ IND


